10/06/2009
Desenvolvimento sim, sustentável!
André Quintão
        
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O Dia Mundial de Meio Ambiente, em 5 de junho, é um muito mais de reflexões e mudanças de cultura do que propriamente comemorações. Nosso maior desafio, enquanto sociedade civil, é crescermos sem devastar o meio ambiente. O Brasil possui um grande patrimônio ambiental, mas é preciso que incorporemos mais do que a premissa de respeito à natureza. É preciso que façamos um trabalho constante para viabilizar uma estratégia para a sociedade que leve em conta tanto o desenvolvimento econômico como também o desenvolvimento ecológico.


Cada um de nós tem um papel essencial. As graves alterações climáticas, o aquecimento da terra, crises no fornecimento da água, faz com que tenhamos responsabilidade e que adotemos práticas que garantam a sustentabilidade de todos os nossos atos e ações. É uma ação que começa individualmente, mas que também deve ser sustentada e ampliada com políticas públicas sérias e eficazes para o meio ambiente. Nosso Estado por exemplo, tem dados alarmantes. Minas Gerais é campeão em desmatamento de Mata Atlântica e tem desafios ambientais gravíssimos a enfrentar. Sabemos que por ser um Estado minerário, que utiliza a lenha e os derivados praticamente em 33% da sua produção de energia primária, Minas requer cuidados ambientais com suas matas nativas.


Debater esse e outros problemas é mais do que necessário, principalmente se levarmos em conta que no ano de 2007, o consumo de carvão vegetal no Estado utilizou 44%, originados em florestas nativas. A preservação ambiental é estratégica, até mesmo para o desenvolvimento econômico. O nosso modelo econômico é refém do agronegócio e da siderurgia. Um modelo colonial. Fato é que 54% das nossas exportações ainda dependem do café e do minério de ferro, por isso é importante diversificar a economia e agregar valor a ela.


A crise econômica, que trouxe tantas preocupações e aflições, também nos revela sinais de superação de modelo. Não adianta ter cultura ou indústrias siderúrgicas se faltam os mananciais de água preservados. Não adianta a exploração do minério de ferro se não há preocupação com as nossas nascentes. Precisamos compatibilizar essas atividades.


Ninguém deseja retirá-las da economia mineira, até porque a nossa economia depende delas. Sabemos o peso da mineração em nossa economia, mas temos de limitá-las para o bem da sustentabilidade.


O nosso maior desafio é construir no Estado de Minas um plano de desenvolvimento sustentável que compatibilize respeito ambiental, crescimento econômico e justiça social. É preciso urgente que discutamos um projeto que abranja todas essas expectativas , com a participação de todos, para que Minas aproveite suas vocações, desde que respeitando o meio ambiente e criando condições para sustentabilidade desse modelo, um compromisso estratégico com as futuras gerações.



 


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