Perdão por repetir frase batida, mas, como disse Churchill, a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais que têm sido experimentadas no mundo.
Ainda não foi inventado método melhor de escolher governos que entregando a decisão ao povo, na base de cada cabeça, um voto. Isso vale também para a escolha de presidentes de sindicatos, associações e até de síndicos. No Brasil, ficam de fora os times de futebol, que parecem preferir Platão e entregar o poder aos filósofos.
Isso não significa ignorar seus limites, seu ritualismo por vezes oco e sua utilização autoritária em nome de eventuais maiorias ou pretensas verdades. Tampouco abdicar da tarefa de aprimorá-la.
Fato é que a democracia ainda provoca atritos, tensões, emoções, não só em países de instituições frágeis como os da América Latina, mas também no "civilizado" Norte. Todos lembram a carga de racismo na campanha republicana nos Estados Unidos. Ou a xenofobia contra árabes na Suíça. Mas é forçoso reconhecer que nosso sangue latino pulsa mais forte.
Entre os partidos, o PT foi o primeiro a instituir eleições diretas para as direções. E o primeiro a escolher candidatos por meio de prévias. Lula submeteu-se a uma contra Suplicy em 2002, ano de sua eleição. Também Patrus Ananias, que só foi candidato a prefeito de Belo Horizonte após de ter vencido prévia contra Rogério Correia e Tomás Mata Machado.
As prévias norte-americanas foram cantadas como signo de maturidade democrática. O governador Aécio Neves passou o ano defendendo prévias no PSDB. Não me lembro de ter ouvido críticas ao seu pleito.
O PT dispõe de dois ótimos candidatos ao governo do Estado. Ambos têm história, experiência, desejo e pessoas convictas de que o seu candidato é o melhor. Como resolver o impasse?
Decidir por cima, como fazem os partidos onde o filiado não conta? É uma opção, mas para isso não precisávamos ter criado o PT. Apelar ao Lula? Mas, não éramos nós que criticávamos o caudilhismo de Brizola? Ou agora pode? Ou ainda escolher o candidato por meio de pesquisa?
Alguém conhece algum analista sério que seja capaz de acreditar em pesquisas antes das eleições?
Concordo com os que lembram os desastres de algumas de nossas prévias. Rio Grande do Sul, Santos e Ipatinga são exemplos que não devem ser seguidos. Mas devemos aprender com eles.
Se Patrus e Pimentel, legitimamente, mantiverem seus nomes, e se nenhum novo fato político alterar o cenário, só há um caminho: consultar os filiados do PT para que digam qual o melhor nome para ganhar as eleições. E fazer isso com debate, urna eletrônica, sem transporte de eleitores, pois o voto no PT é direito e como tal deve ser exercido.
Concluo este artigo com um segundo pedido de desculpas: perdoem-me os que demonizam as prévias no PT, mas seu raciocínio, levado ao limite, permite que em nome do bem do povo e da paz social todas as ditaduras se legitimem.