02/10/2009
 
Entrevista
 
“O PT não 'tucanou”
 

O candidato à presidência do PT em Minas, Gleber Naime, está convicto que a maioria dos militantes petistas apoia Dilma. “As urnas irão mostrar isso em 2010”, afirma Gleber que também destaca as condições favoráveis para a eleição de Patrus Ananias para o governo do Estado.
Em entrevista ao site do deputado André Quintão, Gleber comenta a pesquisa do Instituto Ver, rebatendo notas de jornais que destacaram, esta semana, que “o PT de BH tucanou”.


O secretário de comunicação do PT Nacional afirma que esta posição é restrita a uma parcela dos filiados e é o reflexo perverso da campanha municipal do ano passado, quando o partido tomou atitudes equivocadas quando decidiu se aliar a Aécio Neves para eleger o atual prefeito de Belo Horizonte.
“Mas não, o PT não 'tucanou'. Como mostra a pesquisa citada na matéria, contando os filiados de todo o estado, a Dilma tem vantagem sobre o governador”, rebate.
Leia, abaixo, entrevista com o candidato que fala na importância da militância e da proximidade com a sociedade para o sucesso das eleições de 2010 e manda um recado a todos os filiados. “Não podemos e não vamos perder de novo a nossa identidade”.

Site: Gleber, uma nota publicada na coluna Em Dia com a Política, do jornal Estado de Minas revela que parte dos petistas de Belo Horizonte votaria em Aécio para a presidência. O que você acha disso?
Gleber: Sinceramente, acho isso muito preocupante. Afinal, essa posição parece ser reflexo da campanha municipal do ano passado, quando o partido tomou atitudes equivocadas, principalmente no que diz respeito à aliança com Aécio Neves para eleger o prefeito de Belo Horizonte. O PT, na época, não teve capacidade para construir uma candidatura própria e devido a erros de gerência do partido, acabamos abrindo mão da cabeça de chapa e perdemos não só a eleição, mas um pouco da nossa identidade.

Site: Será que, como diz o colunista do jornal Estado de Minas, o PT de BH “tucanou”?
Gleber: De forma alguma. Como já disse, o processo de equívocos é restrito a uma parcela dos filiados. Os mesmos filiados que talvez não se alinhem tão fortemente à história do Partido dos Trabalhadores. Mas isso não é culpa deles. Isso me parece ter sido resultado de um equívoco na gestão do PT no Estado, que preferiu dar maior relevância a projetos pessoais em detrimento ao projeto coletivo que é marca do partido desde a sua fundação. O resultado foi uma aparente vitória na capital mineira e uma real perda de identidade e união do PT em Minas. Mas não, o PT não “tucanou”. Como mostra a pesquisa citada na matéria, contando os filiados de todo o estado, a Dilma tem vantagem sobre o governador.

Site: Então o PT de Minas estará unido com Dilma?
Gleber: Eu não tenho dúvida disso. Mesmo que parte dos petistas, principalmente os recém chegados ao partido, insistem em se aproximar do nosso adversário histórico, parece que precisamos rever algumas coisas. Acho que o tempo será encarregado de mostrar a eles que essa é uma decisão, no mínimo, contraditória. Mas a maioria dos militantes petistas está com Dilma, eu repito, e as urnas vão mostrar isso em 2010.
O trabalho impecável que o presidente Lula está fazendo na área social em todo o Brasil nos motiva a investir na continuidade desse projeto. E é esse mesmo trabalho que deve ser implantado em Minas. O Estado está carente de investimentos na área social. Por isso, as condições são favoráveis também para a eleição de Patrus Ananias para o governo do Estado. É ele, Patrus, o ministro do Desenvolvimento Social, responsável por parte importante das políticas sociais do governo Lula. Ele trabalha com o presidente, já foi prefeito da capital e candidato ao governo de Estado. Ou seja, conhece as necessidades de Minas e sabe como resolvê-las.

Site: E o trabalho da militância no processo eleitoral, como fica?
Gleber: Historicamente, a militância e a proximidade com a sociedade é o que existe de mais importante no PT. Daí responsabilidade de nos unirmos. Cada militante deve mostrar àqueles que têm um olhar equivocado, que o PT é muito mais importante que o interesse individual de alguns políticos. Não podemos e não vamos perder de novo a nossa identidade. A experiência já provou que alianças não podem significar perda de rumos. Então, eu agora convoco a todos. Vamos, desde já, construir o PT que a gente quer, forte em Minas e no Brasil. Vamos trabalhar juntos para eleger Dilma presidente e Patrus governador.

 
Texto: Eliana Almeida | Fotos: Divulgação
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