Mas,
tanto na eleição para direção
do partido como na escolha para o candidato a governador,
vai votar o mesmo universo de eleitores?
O universo de eleitores pode ser o mesmo, mas a temática
é diferente. Não há vinculação
automática. O processo de eleição
da direção tem uma temática: a
partidária. A questão para a candidatura
ao governo de Minas tem outra temática.
Então,
não há possibilidade de um entendimento
para descartar as prévias entre o senhor e Fernando
Pimentel?
Temos dois nomes postos. O caminho natural são
as prévias, dentro da tradição
do partido.
Qual
a diferença da candidatura do senhor para a candidatura
de Pimentel?
Não vou falar de diferenças. Não
vou fazer campanha baseada em diferenças. Sou
o candidato a favor. Sou a favor das ideias que defendo
sempre. Estou convencido de que nós precisamos
dar um salto de qualidade em Minas. O Estado teve avanços
que, nós reconhecemos, são importantes.
O Estado, hoje, tem maior racionalidade administrativa,
mas precisamos avançar sobretudo no campo das
políticas sociais, no qual nós adquirimos
uma grande experiência nos quatro anos à
frente da Prefeitura de Belo Horizonte e nos quase seis
anos aqui no Ministério do Desenvolvimento Social
e Combate à Fome. Achamos que podemos fazer em
Minas o mesmo que estamos fazendo no governo Lula no
campo social, com políticas mais diretamente
voltadas para os pobres, para os trabalhadores, os marginalizados,
pensar também em políticas regionais.
Podemos avançar em um Orçamento Participativo
regional.
E
do ponto de vista ideológico, a sua candidatura
representa um resgate dos princípios do PT?
Minha candidatura representa a tradição
do PT de 30 anos. Sou militante do PT há 30 anos.
Militância clara, de tarefas e responsabilidades.
Sou membro do diretório nacional do PT. Fui presidente
do PT em Minas, duas vezes secretário geral do
partido. Disputei seis eleições, sendo
três majoritárias, sempre com o apoio do
partido. Na Prefeitura de Belo Horizonte, unificamos
todas as forças do partido. Então, minha
candidatura representa minha história, minha
intensa militância dentro do partido, minha militância
também social, como advogado sindical e trabalhista,
meu trabalho com movimentos sociais, na igreja.
Por
essa trajetória, o senhor esperava ser o candidato
natural do partido em Minas?
Não. A democracia é inerente à
política, sobretudo no PT. Mais do que normal,
acho saudável que outras posições
diferentes se coloquem. Agora, que elas sejam explicitadas.
O debate inter no no partido é saudável.
O PT não pode ter medo de prévias. O importante
é que o debate se dê dentro de critérios
éticos, democráticos.
O
senhor é ministro de Lula e está à
frente do programa de maior visibilidade dessa gestão,
o Bolsa Família. Não era de ser esperar
um apoio do presidente à sua candidatura?
Uma coisa é o ministério, no qual nós
temos o trabalho muito referendado. E, se o Bolsa Família
está dando certo, é porque não
é um programa isolado. Isso é uma coisa.
Agora, eu sempre defendi o PT como um partido vivo.
Eu sempre defendi o debate no PT como algo importante,
oxigena o partido. O partido não deve ter dogmas
e palavras finais. É importante a apresentação
de outras candidaturas. Eu estou colocando o meu nome
e pretendo levá-lo até a decisão
final.
O
senhor tem conversado com o ministro Hélio Costa
para uma aliança com o PMDB?
As candidaturas estão colocadas. As negociações
serão feitas no momento apropriado pelas instâncias
partidárias. Eu tenho um diálogo aberto,
franco, por exemplo, com o ministro Hélio Costa,
meu amigo e colega de governo. Mas, neste momento, eu
estou cuidando de garantir a minha indicação
pelo PT. O momento agora é de provocar uma saudável
emulação dentro dos partidos.
Mas
o senhor abriria mão de ser o candidato em razão
de uma aliança nacional com o PMDB?
Ninguém entra em uma disputa pensando em sair.
Entra em disputa para ganhar. Eu coloquei meu nome e
estou trabalhando para viabilizar minha candidatura
dentro do PT. E, depois, trabalhar para consolidar uma
grande aliança, ganhar as eleições
e governar Minas.
No
entanto, a candidatura do senhor é considerada
mais próxima do PMDB e do Hélio Costa...
Diálogo sim. Mas, neste momento, eu sou pré-candidato
e quero ser governador. Estou trabalhando para ser o
candidato do PT e das forças políticas
que se integrarem conosco. Estou pronto para fazer em
Minas o que fizemos em Belo Horizonte e fazemos no ministério.