14/10/2009
 
Entrevista
Patrus
 
Estou pronto para fazer em Minas o que fizemos em BH
 

Pré-candidato do PT ao governo de Minas, Patrus Ananias descarta retirar seu nome da disputa, mesmo com uma eventual derrota dos seus apoiadores na eleição para o comando do partido no Estado. Ele destaca que as prévias são tradição no partido.

Murilo Rocha


A eleição para a direção do PT em Minas será decisiva para a escolha do candidato a governador?
Não. São duas coisas absolutamente distintas. Apesar do apoio dado e recebido aos postulantes por mim na condição de pré-candidato, eu penso serem duas coisas distintas. E assim ensina a tradição do PT. O processo de escolha da direção partidária tem referência a questões internas do partido. Ou seja, o projeto do PT, a participação dos filiados, a democracia interna, a formação política e a interlocução do partido com a sociedade. A escolha do candidato (para o governo de Minas) é outra questão. É outra lógica. Temos que ver qual candidato tem maior capacidade de unir o partido, mas unir também além do partido. A capacidade de fazer em Minas uma ampla base de apoio ao governo do presidente Lula. E ainda entra outra temática: o projeto de governo. Qual será o melhor projeto para Minas Gerais? Por isso, considero duas questões distintas, e que devem ser tratadas dessa forma.

Mas, tanto na eleição para direção do partido como na escolha para o candidato a governador, vai votar o mesmo universo de eleitores?
O universo de eleitores pode ser o mesmo, mas a temática é diferente. Não há vinculação automática. O processo de eleição da direção tem uma temática: a partidária. A questão para a candidatura ao governo de Minas tem outra temática.

Então, não há possibilidade de um entendimento para descartar as prévias entre o senhor e Fernando Pimentel?
Temos dois nomes postos. O caminho natural são as prévias, dentro da tradição do partido.

Qual a diferença da candidatura do senhor para a candidatura de Pimentel?
Não vou falar de diferenças. Não vou fazer campanha baseada em diferenças. Sou o candidato a favor. Sou a favor das ideias que defendo sempre. Estou convencido de que nós precisamos dar um salto de qualidade em Minas. O Estado teve avanços que, nós reconhecemos, são importantes. O Estado, hoje, tem maior racionalidade administrativa, mas precisamos avançar sobretudo no campo das políticas sociais, no qual nós adquirimos uma grande experiência nos quatro anos à frente da Prefeitura de Belo Horizonte e nos quase seis anos aqui no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Achamos que podemos fazer em Minas o mesmo que estamos fazendo no governo Lula no campo social, com políticas mais diretamente voltadas para os pobres, para os trabalhadores, os marginalizados, pensar também em políticas regionais. Podemos avançar em um Orçamento Participativo regional.

E do ponto de vista ideológico, a sua candidatura representa um resgate dos princípios do PT?
Minha candidatura representa a tradição do PT de 30 anos. Sou militante do PT há 30 anos. Militância clara, de tarefas e responsabilidades. Sou membro do diretório nacional do PT. Fui presidente do PT em Minas, duas vezes secretário geral do partido. Disputei seis eleições, sendo três majoritárias, sempre com o apoio do partido. Na Prefeitura de Belo Horizonte, unificamos todas as forças do partido. Então, minha candidatura representa minha história, minha intensa militância dentro do partido, minha militância também social, como advogado sindical e trabalhista, meu trabalho com movimentos sociais, na igreja.

Por essa trajetória, o senhor esperava ser o candidato natural do partido em Minas?
Não. A democracia é inerente à política, sobretudo no PT. Mais do que normal, acho saudável que outras posições diferentes se coloquem. Agora, que elas sejam explicitadas. O debate inter no no partido é saudável. O PT não pode ter medo de prévias. O importante é que o debate se dê dentro de critérios éticos, democráticos.

O senhor é ministro de Lula e está à frente do programa de maior visibilidade dessa gestão, o Bolsa Família. Não era de ser esperar um apoio do presidente à sua candidatura?
Uma coisa é o ministério, no qual nós temos o trabalho muito referendado. E, se o Bolsa Família está dando certo, é porque não é um programa isolado. Isso é uma coisa. Agora, eu sempre defendi o PT como um partido vivo. Eu sempre defendi o debate no PT como algo importante, oxigena o partido. O partido não deve ter dogmas e palavras finais. É importante a apresentação de outras candidaturas. Eu estou colocando o meu nome e pretendo levá-lo até a decisão final.

O senhor tem conversado com o ministro Hélio Costa para uma aliança com o PMDB?
As candidaturas estão colocadas. As negociações serão feitas no momento apropriado pelas instâncias partidárias. Eu tenho um diálogo aberto, franco, por exemplo, com o ministro Hélio Costa, meu amigo e colega de governo. Mas, neste momento, eu estou cuidando de garantir a minha indicação pelo PT. O momento agora é de provocar uma saudável emulação dentro dos partidos.

Mas o senhor abriria mão de ser o candidato em razão de uma aliança nacional com o PMDB?
Ninguém entra em uma disputa pensando em sair. Entra em disputa para ganhar. Eu coloquei meu nome e estou trabalhando para viabilizar minha candidatura dentro do PT. E, depois, trabalhar para consolidar uma grande aliança, ganhar as eleições e governar Minas.

No entanto, a candidatura do senhor é considerada mais próxima do PMDB e do Hélio Costa...
Diálogo sim. Mas, neste momento, eu sou pré-candidato e quero ser governador. Estou trabalhando para ser o candidato do PT e das forças políticas que se integrarem conosco. Estou pronto para fazer em Minas o que fizemos em Belo Horizonte e fazemos no ministério.

O senhor tem retorno de como anda a sua campanha?
O retorno está um pouco ainda "de orelha". Mas está bom, as energias estão boas. Está crescendo como deve ser. Não queremos explodir agora nas pesquisas. Queremos chegar bem na hora certa para ganharmos as eleições.

 

Jornal O Tempo - Política - 11/10/2009 - Domingo

 
 
 

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