Qual
a diferença entre a sua pré-candidatura
e a do ministro Patrus?
Eu não faço discurso que exclua o ministro,
de jeito nenhum. Eu quero a unidade. O que o partido
tem que discutir é a estratégia para chegar
ao Palácio da Liberdade. Se é uma estratégia
mais excludente, se é uma estratégia menos
flexível, com um discurso mais áspero
em relação às duas gestões
do governador Aécio Neves, ou se, ao contrário,
nós vamos procurar um caminho mais amplo. Buscar
uma aliança mais ampla. Porque Minas tem um desafio:
a base aliada do presidente Lula aqui é base
aliada do governador, exceto o PMDB. Mas precisamos
transitar bem nos outros partidos também - PTB,
PP, PR, PSB, que os meus opositores dentro do PT não
apoiaram na aliança em Belo Horizonte. Você
vê que aí tem um jogo político muito
refinado. Eu acho que o PT hoje está maduro para
perceber isso. Não é um desmerecer o outro.
É buscar qual é o melhor para agregar
mais e para fazer essas alianças. É mais
uma diferença de estratégia eleitoral.
Não tem divergência de fundo. Tanto eu
quanto Patrus pensamos muito igual. Nós estamos
no mesmo partido.
E
como se daria essa aliança mais ampla?
Nós temos que esperar para ver. Não tem
uma receita pronta. Ainda não podemos nem começar
esses movimentos em favor da aliança. Aí
está a importância de se encerrar esse
processo interno agora. Não podemos começar
esses movimentos sob pena de estarmos atropelando o
meu partido e os demais aliados.
E
o PMDB?
É o maior partido, é o que mais é
demandado, o que mais desperta interesse mesmo, pelo
seu tamanho e pelo fato de que ele tem um pré-candidato
a governador, que é o ministro Hélio Costa.
É uma discussão que vai ter que ser feita
com muita delicadeza, com muito respeito às postulações
de cada partido, ao ministro Hélio Costa. A única
coisa que a gente sabe é que o PT de Minas tem
vontade de ter candidatura própria.
O
PT faria o sacrifício em nome da aliança
nacional?
Acho muito difícil. Porque não é
uma questão pessoal, nem para mim nem para o
ministro Patrus. É difícil porque o partido
tem essa posição em favor da candidatura
própria. Nós estamos seguramente no melhor
momento da história política do PT, no
melhor momento da política nacional e em Minas
Gerais. Temos dois excelentes nomes, temos uma avaliação
positiva. E temos o maior cabo eleitoral do país,
talvez do planeta, que é o presidente Lula. Neste
momento, você convencer um militante petista de
Minas de que ele deve terceirizar a candidatura de governador
é muito difícil. Diria que é impossível.
O caso de Minas é peculiar. Veja bem, as pesquisas
apontam o ministro Hélio Costa como o primeiro
colocado, e isso é real. Agora, nas pesquisas
qualitativas, a situação não é
exatamente essa. O PMDB sabe disso. Ainda tem um outro
componente que é o seguinte. Primeiro, nós
temos dois personagens fortes em Minas Gerais: um é
o presidente Lula, e outro, o governador Aécio
Neves. E esses personagens, na cabeça do eleitor
mineiro, ficaram juntos nas últimas eleições,
dando origem ao chamado voto Lulécio. O eleitor
mineiro votou por duas vezes em Lula e Aécio
e não se arrependeu. O sentimento que deu origem
a esse voto não se esgotou. Ele está aí.
Como vamos usá-lo? Essa é a pergunta que
tem que ser respondida. Quem vai personificar o sentimento
do chamado Lulécio?
Do ponto vista partidário, temos que tentar fazer
uma base aqui tão ampla quanto foi a base que
elegeu Lula. Mas, tão importante quanto o ponto
de vista partidário, é o ponto de vista
do imaginário do eleitor. Qual desses personagens
que estão postos aí mais se aproxima desse
sentimento, que é muito forte?
O
senhor seria esse personagem?
Não sei. O partido tem que definir. Não
quero adiantar nada.
E
qual o peso de Minas na eleição nacional?
Muito grande. Tudo indica que, sendo nosso adversário
o governador José Serra, ele sai de São
Paulo com uma votação muito grande. Então,
essa diferença terá que ser compensada
por Minas. Eu acho que o PT, que vai fazer essa escolha
interna, tem que estar pensando nisso. Qual a melhor
estratégia para trazer Minas Gerais para o nosso
campo? É muito claro que a base aliada de Lula
não ficou conosco em Minas Gerais. Isso tem a
ver com a força do governador. Mas, agora, ele
não é mais candidato. Então, nós
temos o dever de buscar esses partidos para apoiar a
Dilma, mas também nos apoiar. Isso tem que ser
considerado com tanto peso quanto a aliança com
o PMDB. É fundamental.