No dia 10 de fevereiro, meu partido, o PT, completa 30 anos de fundação. É um momento histórico para o nosso país, que tem hoje a oportunidade de, sob a liderança do PT e do Presidente Lula, estar em um caminho de crescimento, desenvolvimento econômico, afirmação política internacional e, principalmente, distribuição de renda, redução das desigualdades sociais, combate à pobreza e promoção da dignidade humana. Essa trajetória de 30 anos começou no final da década de 70, nos encontros preparatórios para a criação do PT. Esse partido não nasceu de nenhum gabinete parlamentar, não foi dissidência de outro partido, não foi criado artificialmente. Trata-se de um partido que desde cedo se enraizou no que havia de melhor na sociedade brasileira. O partido surgiu acolhendo experiências da esquerda, que, sob a égide da ditadura militar, era obrigada a exercer sua militância na clandestinidade. Também recolheu experiências de intelectuais progressistas, de jovens do movimento estudantil, do movimento sindical, que combatia o atrelamento dos sindicatos aos patrões - os sindicatos pelegos, ainda vinculados a uma estrutura sindical das décadas anteriores -, e também de movimentos populares sob forte influência das igrejas, particularmente da Igreja Católica, por meio da Teologia da Libertação e das Comunidades Eclesiais de Base. Assim surgiu o PT, que resistiu, ajudou e contribuiu muito na transição democrática.
O PT teve uma participação decisiva nas campanhas das Diretas Já; no movimento pró-constituinte, que, em 1989 disputou a primeira eleição presidencial pós-ditadura com o nosso então Deputado Federal Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, Constituinte Nota 10, assim como os demais 15 parlamentares, que com o Lula somavam 16 na Constituição de 1988. E quase chegamos lá. Não desistimos, continuamos a nossa trajetória de luta política, de luta no movimento social e de disputas eleitorais. Participamos efetivamente das primeiras eleições para Prefeituras de Capital em 1985, bem como para governos de Estado.
Em nossa Capital, Belo Horizonte, ganhamos pela primeira vez a Prefeitura, em 1992, com o então Vereador Patrus Ananias, hoje responsável por um belíssimo trabalho à frente do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - Patrus é o Ministro do Bolsa Família em Minas Gerais. Participamos de eleições em outras capitais e insistimos, apontando uma alternativa para o País, com as candidaturas de Lula, novamente, em 1994, 1998 e, finalmente, em 2002, quando se deu uma belíssima vitória democrática, inaugurando-se uma página diferente na história da política, da democracia e do crescimento com justiça social em nosso País.
Pesquisas recentes mostram uma aprovação de mais de 80% ao governo Lula. É o governo do Bolsa Família, do ProUni, que coloca os jovens pobres na universidade; e das novas escolas técnicas federais. É o governo que injeta bilhões de reais, que vai atingir a meta de 11 milhões de famílias beneficiadas pelo Luz para Todos e que fez com que o Brasil tenha sido o país que melhor enfrentou a recente turbulência econômica, com uma previsão de crescimento econômico para este ano de 2010 de 5,5% a 6%. O que é melhor é que não se trata do crescimento econômico clássico e tradicional, defendido pelas elites, de fazer o bolo crescer para depois distribuí-o; este governo coloca a distribuição de renda, a universalização de políticas públicas e o aumento real do salário mínimo como fatores indutores do fortalecimento do mercado interno e do crescimento econômico em nosso País.
Portanto a melhor forma de comemorarmos esses 30 anos do PT é exatamente revigorar esse projeto político, apontando para o país a continuação do caminho trilhado até aqui, com a candidatura da Ministra Dilma Rousseff à Presidência da República, fazendo assim com que uma mineira, uma mulher, cheque à frente dos destinos do nosso País - uma mulher que vai quebrar paradigmas, como fez Lula, um operário, ao chegar à Presidência da República.
Mas, Sr. Presidente, Minas Gerais também não pode-se furtar de participar desse esforço na construção de um país melhor, e o PT de Minas, que empossou o seu Diretório Estadual no último sábado, também tem seus desafios. Aproveito para agradecer a confiança dos companheiros e companheiras do Diretório Estadual, que me elegeram Vice-Presidente Estadual do Partido do Trabalhadores, num momento em que o PT se prepara para ajudar na continuação do projeto nacional e também para apresentar ao povo mineiro um projeto alternativo, um projeto democrático-popular, que contemple as regiões do Estado e que promova em Minas Gerais um crescimento econômico com distribuição de renda, com mais democracia e participação popular. Não somos intransigentes ou prepotentes; sabemos que chegar ao governo de Minas depende de costurar políticas, de parcerias com partidos hoje aliados ao governo Lula. Mas temos a convicção de que chegou a hora do PT.
No último diretório estadual, o PT aprovou, por unanimidade, a tese da candidatura própria ao governo de Minas. Obviamente, não como imposição aos partidos aliados, mas como discussão política. Por vários motivos, pelo fato de termos o Presidente da República, pelo fato de a área social estar muito fortalecida por intermédio do governo Lula e do Ministro Patrus em Minas Gerais, em função de o PT hoje ter aceitação muito grande no interior da sociedade brasileira, de ser o partido mais querido por quase 30% da população e por ter bons pré-candidatos que disponibilizaram seus nomes ao conjunto do partido, a resolução do PT aponta para a constituição de um palanque único da base aliada em Minas Gerais.
Não queremos dividir as forças que apoiam o governo Lula no Estado, queremos construí-las com o Vice-Presidente José Alencar, que foi homenageado com o título de Militante Honorário do PT, também por unanimidade. Provavelmente ele receberá essa distinta honraria nos próximos dias, e terá a participação do PCdoB, do PMDB e dos demais partidos, do PRB, que compõem a base aliada do Presidente Lula. Construiremos um programa de governo sintonizado com as mudanças sociais feitas pelo Presidente em nosso país. Temos a compreensão da política nacional: para se construir uma ampla aliança nacional é preciso fazer concessões e discutir a integração nos Estados, mas isso não é automático. Será na Bahia ou no Rio Grande do Sul, onde o PMDB terá candidatura, ou será no Rio de Janeiro, onde o PT irá apoiar a reeleição de um Governador do PMDB? Em Minas Gerais, o conjunto do PT entendeu que é a hora de apresentar a sua candidatura sintonizada com a candidatura nacional, para ser discutida no conjunto dos partidos da base aliada. Não queremos exclusivismo, queremos que em Minas Gerais a nossa pré-candidata, apoiada pelo Presidente Lula, tenha o maior número de votos, para que se consagre não somente a vitória de um partido, mas a vitória de um projeto exitoso, que está fazendo com que milhões de pessoas tenham direito a uma vida mais digna.
Para concluir, Sr. Presidente, não poderia deixar de reconhecer o esforço militante dos mais de 130 mil filiados do PT, dos mais de 750 diretórios municipais espalhados por toda Minas Gerais, dos militantes e simpatizantes anônimos do PT, dos Vereadores, das Vereadoras, dos Prefeitos, das Prefeitas, dos Vice-Prefeitos, das Vice-Prefeitas, enfim, dessa verdadeira família que se chama PT. Temos, sim, nossas divergências e nossas diferenças, mas, ao longo da nossa história, soubemos construir a unidade na diversidade. Não sairemos divididos em Minas Gerais. Teremos sabedoria suficiente para apresentar uma alternativa consistente ao povo mineiro.
Se hoje é possível chegar aos 30 anos do PT como o partido mais querido de Belo Horizonte, de Minas e do Brasil, é porque esses destemidos companheiros e companheiras de 30 anos de militância partidária, e alguns de recente filiação partidária, puderam, ao longo dessa trajetória, dar sua modesta contribuição. Parabéns, PT, parabéns, Presidente Lula, pelo bem que tem feito ao nosso país. Muito obrigado.
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