Patrus deixa Ministério rumo ao Governo de Minas
Patrus Ananias deixou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) nesta quarta-feira, dia 31, desincompatibilizando-se, conforme exigência da lei eleitoral para disputar um mandato nas eleições de outubro. Patrus coloca-se, assim, à disposição do PT e de Minas Gerais, atendendo a vontade de amplos setores sociais, sindicais e do partido para participar de um projeto democrático-popular em Minas, com a experiência acumulada desde 2004, à frente dos grandes programas sociais do Governo Lula.
O ministro fez o anúncio em entrevista coletiva em Brasília (DF), na tarde de terça-feira, após conversar com o presidente Lula. "Conversei com o Lula e, com muito pesar de ambas as partes, comuniquei a minha saída do ministério", contou. Patrus explicou que vai trabalhar para viabilizar a sua candidatura dentro do PT e buscar também a aliança com o PMDB, que definiu como parceiro fundamental. "Em Minas não haverá palanque duplo", ressaltou, referindo-se ao empenho do PT pela unidade interna e pelo diálogo com os demais partidos da base aliada para a construção de um palanque que impulsione a candidatura da ministra Dilma no Estado.
Na quarta-feira, o presidente Lula deu posse a dez novos ministros que substituíram aqueles que se desincompatibilizaram. Assumiu o Ministério do Desenvolvimento Social a assistente social Márcia Lopes, que ocupava a secretaria-executiva. O médico e professor mineiro, Rômulo Paes, que respondia pelo setor de Avaliação e Gestão da Informação, assumirá como secretário-executivo.
Desde 2004, o combate à pobreza
Na entrevista coletiva, Patrus falou da sua extraordinária experiência à frente da Pasta: “Um ministério que nós construímos ao longo de seis anos, dando passos decisivos para a erradicação da fome e da pobreza extrema no Brasil; um ministério que tem pouco mais de 1.400 funcionários e está fazendo uma revolução silenciosa, pacífica, democrática, amorosa no Brasil”, afirmou.
Entre 2003 e 2010, o orçamento do MDS saltou de R$ 11,4 milhões para R$ 38,9 milhões, recursos destinados às ações de transferência de renda, segurança alimentar e nutricional, assistência social e inclusão produtiva. São 5.300 Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), 1.057 Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS), 288 mil cisternas, 396 Cozinhas Comunitárias, 74 Restaurantes Populares e 63 Bancos de Alimentos funcionando com recursos do MDS. No Bolsa Família, 12,4 milhões de famílias pobres, somando cerca de 49,2 milhões de pessoas são beneficiadas, em todos os municípios brasileiros.
Os resultados contribuíram para o Brasil atingir, antes do prazo, a meta de redução da pobreza proposta pela ONU entre os Objetivos do Milênio. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, em 1990, 26,8% dos brasileiros tinham renda domiciliar per capita abaixo da linha de pobreza extrema. Já em 2007, o país alcançou a meta de reduzir o índice para um quarto e em 2008 ele caiu para 4,8% , menos de um quinto.
Repercussão na Assembléia
Na Assembléia Legislativa, o deputado André Quintão, que integra a comissão destinada a construir a candidatura de consenso no PT, anunciou a decisão do ministro Patrus na tarde de terça-feira, recebendo diversos apartes dos colegas da bancada petista pela unidade do partido em torno de uma candidatura própria ao Governo de Minas.
“Neste momento, o Ministro comunica sua decisão e, com o coração aquecido pelas realizações e pelos bons resultados de seis anos no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, mas também com a convicção de que, respeitados os calendários internos do PT e dos partidos da base aliada, coloca-se, mais uma vez, à disposição do PT e de Minas Gerais”, afirmou. |